Ceará volta a registrar 100% do território sob condição de estiagem, aponta Monitor de Secas

17 de Novembro de 2025 – O Ceará voltou a enfrentar um cenário preocupante neste novembro de 2025, quando todo o território estadual foi classificado em condição de seca relativa, conforme a mais recente atualização do Monitor de Secas. Essa situação não ocorria desde janeiro do ano anterior e reflete o agravamento dos impactos da estiagem, principalmente devido à baixa ocorrência de chuvas no segundo semestre. Do total do território, 63,34% está em situação de Seca Moderada (S1), um nível caracterizado por danos a culturas agrícolas e pastagens, redução significativa do volume de reservatórios, poços e córregos, e riscos pontuais no abastecimento. A população nessas áreas deve adotar medidas racionalizadas no consumo de água para mitigar impactos. Já os demais 36,65% do território Ceará estão sob Seca Fraca (S0), estágio inicial de anomalia hídrica, que se concentra principalmente na faixa norte, abrangendo Fortaleza e Região Metropolitana, além de estar presente em regiões do sul do estado. Este nível indica começo de deficiências que podem afetar a vegetação e a agropecuária, se a situação persistir. Essa piora recente se deve ao avanço da Seca Fraca no norte do Ceará e da Seca Moderada nas regiões central e sul, gerando impactos de curto prazo diretamente relacionados às chuvas escassas e às condições hidrológicas atuais. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) destaca que a baixa pluviometria acumulada desde julho foi determinante para a intensificação da estiagem. O período tradicional de chuvas, que vai de fevereiro a maio, concentra o maior volume anual, sendo o segundo semestre caracterizado historicamente como fase crítica para o balanço hídrico, agravando a vulnerabilidade do semiárido cearense. O Monitor de Secas, instrumento coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), é atualizado mensalmente e agrega análises da Funceme, entre outras instituições estaduais do Ceará. Os dados obtidos subsidiam decisões estratégicas em áreas sensíveis como agricultura, gestão hídrica e políticas públicas para mitigar os efeitos da seca. Diante deste cenário, produtores rurais, gestores públicos e população são orientados a intensificar práticas de uso racional da água, adotar medidas de conservação do solo e investir em tecnologias que aumentem a eficiência do uso dos recursos hídricos. Leia também | Polícia Militar resgata 30 aves silvestres usadas em rinha e avaliada em R$ 90 mil em Barbalha Tags: Ceará, estiagem, seca relativa, Monitor de Secas, agricultura, abastecimento, Funceme, ANA, recursos hídricos, políticas públicas