Haddad propõe que Banco Central fiscalize fundos de investimento no Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao governo uma proposta para que o Banco Central (BC) passe a fiscalizar diretamente os fundos de investimento no Brasil, função que hoje é atribuída à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A ideia está sendo discutida internamente no Executivo e envolve também outras áreas como a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. ​​​<< SIGA O INSTAGRAM DO RAPADURA DIGITAL>> Proposta centraliza supervisão Atualmente, a regulação e fiscalização de fundos de investimento — incluindo a supervisão das práticas das gestoras, transparência aos cotistas e conformidade com regras de mercado — é responsabilidade da CVM. Haddad argumenta que essa função poderia ser transferida para o Banco Central como forma de centralizar a supervisão financeira e reduzir lacunas regulatórias, seguindo modelos adotados por bancos centrais de países desenvolvidos. Segundo o ministro, a medida também tem a vantagem de criar uma visão mais ampla e integrada sobre o funcionamento dos mercados financeiros — incluindo a chamada “intersecção entre fundos e as finanças” — que, em sua avaliação, influencia práticas econômicas e pode até impactar a contabilidade pública e a estabilidade financeira. Contexto de fraudes e liquidações A proposta de Haddad surge num momento em que operações de fiscalização e investigações recentes colocaram fundos de investimento sob suspeita de uso em esquemas fraudulentos. Um dos casos emblemáticos envolve o Banco Master e fundos ligados à Reag Investimentos, que foram alvo de apuração por suposta utilização de estruturas em cascata para ocultar beneficiários finais e movimentações de recursos. O Banco Central chegou a decretar a liquidação extrajudicial de instituições envolvidas em novembro de 2025. Especialistas dizem que a mudança poderia fortalecer a supervisão do sistema financeiro, aumentando a capacidade do BC de monitorar integradamente instituições financeiras e estruturas de fundos, assim como identificar eventuais práticas criminosas com mais rapidez. Discussões e próximos passos A proposta ainda está em fase de debate interno e não representa uma medida formalizada ou publicada em forma de projeto de lei. A discussão envolve diferentes órgãos do governo, incluindo o próprio Banco Central sob a presidência de Gabriel Galípolo, que tem sido elogiado por Haddad pela condução de casos complexos herdados de gestões anteriores. Para Haddad, a alteração no modelo de supervisão “faria sentido” na estrutura atual do mercado financeiro brasileiro e poderia servir como uma resposta estratégica às demandas de maior segurança, transparência e eficiência regulatória. Leia também | Concursos e seleções: veja inscrições abertas no Ceará nesta segunda-feira (19/01) Tags do texto Fernando Haddad, Banco Central Brasil, fundos de investimento, fiscalização, regulação financeira, CVM, mercado financeiro, proposta de governo