Posicionamento mais ao sul da Zona de Convergência Intertropical e aquecimento anômalo no Atlântico favorecem aumento das precipitações durante a quadra chuvosa no Estado.
As condições meteorológicas que influenciam o Ceará indicam uma possível intensificação das chuvas nas próximas semanas, reforçando o quadro de elevada pluviosidade que marca fevereiro no estado. A tendência de precipitações mais fortes está associada principalmente à aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) sobre o Nordeste e ao desenvolvimento de um aquecimento anômalo das águas do Atlântico conhecido como “Niño do Atlântico” — um fenômeno que pode favorecer a formação de nuvens carregadas e aumentar os volumes de chuva no Norte e no Nordeste brasileiros.
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A ZCIT, principal motor das chuvas no litoral cearense, tem-se deslocado para mais ao sul do Equador, situando-se atualmente entre 1º e 2° de latitude sul, e já exerce influência nas precipitações, sobretudo nas áreas costeiras do estado. Segundo o diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco Vasconcelos Júnior, essa posição lateralizada favorece a convecção e cria instabilidade que contribui para episódios de chuva ao longo da faixa litorânea.
Paralelamente, o fenômeno apelidado de “Niño do Atlântico” — caracterizado pelo aquecimento das águas equatoriais do Atlântico Leste — atua de forma a ampliar as precipitações no Ceará e em outras partes do Nordeste. Embora diferente do El Niño do Pacífico, que costuma trazer consequências em grande escala global, o aquecimento anômalo no Atlântico Leste também está associado a padrões que favorecem maiores acumulados de chuva quando persistem acima da média.
Fenômeno climático e ciclos de chuva no estado
Os dados parciais da Funceme mostram que fevereiro de 2026 tem sido um dos mais chuvosos dos últimos 19 anos no Ceará. Entre os dias 1º e 19 deste mês, o estado registrou uma média pluviométrica de 142 mm, superando os padrões esperados para o período e ficando atrás apenas de fevereiro de 2007, que alcançou 164,5 mm no mesmo intervalo.
A distribuição das chuvas também tem sido variável dentro do território cearense. No litoral e no norte do estado, as precipitações têm sido mais diretamente associadas à influência da ZCIT, enquanto no sul — em regiões como Cariri e Sertão Central e Inhamuns — a presença de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) também tem contribuído para condições instáveis e registros de chuva.
Contexto amplo e perspectivas climáticas
Especialistas observam que a atual quadra chuvosa no Ceará já começa com índices pluviométricos acima da média em várias regiões, e a continuidade desses fatores meteorológicos sugere que os próximos dias podem manter níveis expressivos de chuva. Além disso, a Funceme monitora a possibilidade de uma transição de La Niña para condições neutras ou até El Niño no Pacífico ao longo do ano, cenário que pode ter implicações climáticas distintas para as estações seguintes — embora qualquer impacto direto na quadra chuvosa atual seja considerado mais distante.
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Tags: chuvas no Ceará, ZCIT, Niño do Atlântico, Funceme, previsão do tempo, clima Nordeste, quadra chuvosa, meteorologia Ceará, fenômenos climáticos