Investigações revelam que Comando Vermelho no Amazonas usava agentes públicos e empresas de fachada

Operação Erga Omnes revela que facção criminosa tinha apoio de agentes públicos e empresas de fachada para facilitar tráfico e lavagem de dinheiro no Amazonas.

Uma operação da Polícia Civil do Amazonas desarticulou um esquema criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV) que, segundo as investigações, contava com o apoio de agentes públicos e empresas de fachada para facilitar o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas no estado. A ação, batizada de Operação Erga Omnes, cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão em vários estados brasileiros.

​​​<< SIGA O INSTAGRAM DO RAPADURA DIGITAL>>

De acordo com a Polícia Civil, o grupo — que movimentou aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018 — utilizava empresas de fachada no ramo de transporte e locação para camuflar o fluxo de dinheiro obtido com a comercialização de entorpecentes, bem como para viabilizar a logística do tráfico. A investigação também aponta que agentes públicos de diferentes esferas colaboravam com o grupo criminoso, incluindo o acesso a informações sigilosas de investigações policiais e judiciais, favorecendo a atuação da facção no território.

Entre os alvos da operação estão servidores públicos que ocupavam cargos no Executivo, Legislativo e Judiciário, como ex-assessores parlamentares, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e uma ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus. A presença desses agentes dentro da estrutura estatal teria permitido ao grupo obter vantagens logísticas e estratégicas para suas atividades.

A ofensiva policial ocorreu nesta sexta-feira (20) e resultou em 13 prisões preventivas no Amazonas e em outras unidades da federação, além do cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do país, incluindo no Pará, Maranhão, Minas Gerais, Ceará, Piauí e São Paulo. Também foram decretadas medidas como o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens ligados aos investigados e às empresas-fachada.

As autoridades explicam que a investigação teve início a partir da apreensão de drogas e armamentos em Manaus, o que possibilitou identificar a organização criminosa em sua estrutura completa. Além da atuação no tráfico de substâncias ilícitas, o grupo é suspeito de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, formação de organização criminosa e violação de sigilo funcional.

O caso evidencia um dos mais sofisticados esquemas de infiltração de uma facção criminosa dentro do aparato estatal no Norte do Brasil, com ramificações que envolvem servidores públicos e operadores logísticos em múltiplos estados.

Leia mais | João Fonseca e Marcelo Melo confirmam vaga na final de duplas do Rio Open

Tags: crime no Amazonas, Comando Vermelho, Operação Erga Omnes, agentes públicos, empresas de fachada, tráfico de drogas, corrupção, Polícia Civil do AM, segurança pública

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *