Empresa enfrenta autuações da Receita Federal, redução no lucro e cortes de funcionários, enquanto obras seguem paralisadas em Fortaleza. Os recentes desafios enfrentados pelo Grupo Mateus podem impactar os investimentos da empresa no Ceará. Especialistas do setor avaliam que a companhia deve adotar uma postura mais cautelosa e priorizar a recuperação da rentabilidade antes de inaugurar novas unidades no Estado. Entre os fatores que aumentaram a pressão sobre o grupo estão uma nova autuação bilionária da Receita Federal, demissões em massa, obras paralisadas e a desaceleração do plano de expansão. Apesar disso, a empresa ainda mantém resultados positivos em indicadores financeiros e reduziu a dívida bruta no primeiro trimestre de 2026. Multa bilionária amplia incertezas A situação ganhou novos desdobramentos após a Receita Federal aplicar uma multa de R$ 1,28 bilhão ao Grupo Mateus. O processo envolve questionamentos sobre a exclusão de créditos presumidos de ICMS da base de cálculo de tributos federais referentes aos anos de 2022 e 2023. Segundo a empresa, a autuação representa uma contingência classificada como perda possível. Por isso, o grupo informou que pretende apresentar defesa na esfera administrativa. Obras permanecem paradas em Fortaleza Além das questões tributárias, o grupo ainda enfrenta dificuldades para retomar investimentos anunciados no Ceará. O principal exemplo é a construção do Hiper Mateus no bairro Aldeota, em Fortaleza. A obra começou em 2024, porém permanece paralisada há mais de um ano. Além disso, terrenos adquiridos pela empresa nos bairros Parangaba e Messejana ainda não receberam novos empreendimentos. Especialistas avaliam que, diante do atual cenário, a companhia deve concentrar esforços na melhora dos resultados financeiros antes de ampliar sua presença no Estado. Demissões e mudança de estratégia Outro fator que chamou atenção foi a redução do quadro de funcionários. Em 2026, o Grupo Mateus realizou mais de seis mil demissões em seis estados, incluindo o Ceará. Ao mesmo tempo, encerrou operações de parte das lojas da bandeira Eletro Mateus e passou a direcionar investimentos para novos segmentos, como o varejo farmacêutico. De acordo com especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste, a empresa mudou sua estratégia nos últimos anos ao ampliar serviços como padaria, açougue e rotisseria. Entretanto, essa mudança reduziu as margens de rentabilidade em um cenário marcado por juros elevados e menor poder de compra dos consumidores. Lucro caiu, mas dívida diminuiu O balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026 mostra que o lucro líquido do Grupo Mateus caiu 21,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, encerrando o trimestre em R$ 213 milhões. Por outro lado, a companhia registrou crescimento na receita líquida e no lucro bruto. Além disso, a redução do ritmo de investimentos contribuiu para diminuir a dívida bruta e fortalecer a liquidez da empresa. Expansão deve seguir em ritmo mais lento Atualmente, o Grupo Mateus possui 21 lojas no Ceará, distribuídas entre atacarejos, supermercados e unidades da bandeira Armazzém. Enquanto isso, especialistas acreditam que novas inaugurações devem ocorrer apenas quando a empresa recuperar as margens operacionais e reduzir as incertezas que cercam o negócio. Até a publicação da reportagem original, o Grupo Mateus não havia se manifestado sobre os impactos dos acontecimentos recentes em seus investimentos no Estado. Leia mais | Copa do Mundo: Eliminação do Brasil está entre as mais traumáticas das Copas Tags: Grupo Mateus, Ceará, Fortaleza, economia, varejo, atacarejo, Receita Federal, multa bilionária, demissões, investimentos, supermercados, Aldeota, Parangaba, Messejana
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