Inquérito eleitoral revela diálogos com orientação de dinheiro, cestas básicas e transporte de eleitores para favorecer campanha de 2020
A Polícia Federal (PF) obteve e acessou mensagens, áudios e fotos que indicam um possível esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2020 em Macapá (AP), que resultou na denúncia de 14 pessoas, entre elas o atual prefeito, Dr. Furlan (MDB), e seu irmão, o promotor de Justiça João Paulo Furlan.
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O material apreendido pela PF mostra diálogos entre o promotor e um motorista identificado como Gleison Fonseca da Silva, responsável pelo contato direto com eleitores. Nas conversas, há orientações relacionadas ao envio de dinheiro, cestas básicas e organização de transporte de eleitores, práticas que configuram, segundo o Ministério Público Eleitoral, compra de votos — crime eleitoral proibido pela legislação brasileira.
Como as mensagens foram obtidas
A investigação começou com a abordagem policial a Gleison Fonseca no dia do segundo turno das eleições de 2020 em Macapá, quando agentes viram diversos eleitores recebendo dinheiro de dentro de um veículo. O celular dele foi apreendido na ocasião e, após autorização judicial em fevereiro de 2021, dados foram extraídos por perícia, fornecendo elementos considerados fundamentais para a denúncia contra os investigados.
Detalhes das conversas e evidências
Nas mensagens analisadas pela PF, aparecem orientações explícitas que foram interpretadas pelos investigadores como parte de um esquema coordenado para angariar votos. Em um trecho, o promotor orienta sobre a entrega de cestas básicas e, em outro, há pedidos de transferências de dinheiro em valores variados. Além disso, o relatório policial indica que Gleison era considerado “homem de confiança” de João Furlan para tratar de assuntos relacionados à campanha.
Além disso, há registros de que motoristas de aplicativo foram contratados para transportar eleitores no dia da votação com rotas e grupos organizados, prática que também pode configurar crime eleitoral quando usada com o objetivo de influenciar o pleito.
Denúncia e afastamento do promotor
Com base nas provas coletadas, o Ministério Público Eleitoral denunciou 14 pessoas, incluindo Dr. Furlan e seu irmão. O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinou o afastamento temporário de João Paulo Furlan do exercício do cargo de promotor de Justiça por 60 dias, por suspeita de conduta incompatível com o cargo e possíveis práticas de improbidade administrativa e descumprimento de deveres funcionais, além das acusações eleitorais.
O prefeito Dr. Furlan nega ter cometido irregularidades e afirma que não houve “qualquer ilegalidade no pleito de 2020, muito menos a existência de organização criminosa”. As partes envolvidas e o MPAP ainda não se pronunciaram publicamente devido ao segredo de justiça do caso.
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PF, compra de votos, Macapá, Amapá, Dr. Furlan, João Paulo Furlan, Ministério Público Eleitoral, CNMP, investigação eleitoral, mensagens interceptadas, corrupção eleitoral