Tarifas de Trump por causa da Groenlândia podem favorecer acordo Mercosul-UE

As tarifas adicionais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países da União Europeia (UE) que rejeitam sua proposta de anexar a Groenlândia não só intensificaram as tensões comerciais globais, como também podem aumentar o apoio ao acordo comercial entre o Mercosul e a UE, exatamente quando o texto da negociação entra em sua fase mais sensível de tramitação no Parlamento Europeu.

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Tarifa como instrumento geopolítico

Especialistas apontam que o uso de tarifas como ferramenta de pressão política — incluindo a ameaça de taxas de até 25% sobre produtos europeus — empurra a Europa para uma postura defensiva e mais pragmática nas relações comerciais. Neste contexto, membros do Parlamento Europeu começam a rever ou até ponderar suspender acordos comerciais com os Estados Unidos, enquanto a Comissão Europeia prepara medidas de retaliação tarifária a partir de fevereiro, caso não haja recuo americano.

Acordo Mercosul-UE ganha nova relevância

O acordo entre Mercosul e União Europeia — que prevê redução de tarifas e facilitação do comércio entre os blocos — deixa de ser apenas uma negociação de longa duração e passa a ser visto como alternativa estratégica e concreta diante da escalada tarifária estadunidense. Isso pode fortalecer o interesse europeu em finalizar a aprovação do tratado como forma de diversificar mercados e reduzir dependência dos EUA em um cenário global mais fragmentado.

Para o professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan, o vínculo entre as tarifas americanas e o potencial fortalecimento do acordo é direto: com os produtos europeus enfrentando custos mais altos de entrada no mercado americano, a Europa tende a buscar outras parcerias, e a América Latina se posiciona como destino natural para essa integração comercial.

Riscos e obstáculos ainda persistem

Apesar da possível aceleração dos apoios ao acordo, o cenário não está isento de desafios. A resistência histórica de alguns países europeus — especialmente por preocupações relativas ao setor agrícola — e a necessidade de aprovação interna do tratado em congressos e no Parlamento Europeu são fatores que ainda podem atrasar ou alterar o ritmo da implementação.

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