Decisão de Flávio Dino reacende debate no Congresso sobre fim dos penduricalhos

Magistrado do STF suspende pagamentos que extrapolam o teto e impulsiona discussão legislativa sobre remuneração pública

A recente decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a **suspensão imediata de penduricalhos — benefícios e verbas remuneratórias que ultrapassam o teto constitucional — voltou a colocar o tema no centro do debate no Congresso Nacional. A liminar, concedida nesta quinta-feira, ordena que os Três Poderes revisem e suspendam pagamentos sem base legal em até 60 dias, com a intenção de reforçar a observância do teto remuneratório previsto na Constituição.

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A controvérsia ganhou dimensão política após parlamentares discutirem a necessidade de regulamentação legal que defina com precisão quais verbas indenizatórias podem exceder o teto, tema que é visto por muitos como essencial para encerrar a chamada “farra dos penduricalhos” — práticas que permitem a servidores públicos receberem valores acima do limite salarial constitucional de R$ 46.366,19, correspondente ao subsídio de ministros do STF.

Conteúdo da decisão e exemplos simbólicos

Na liminar, Dino qualificou como um “fenômeno da multiplicação anômala” o uso de verbas classificadas como indenizatórias que, na prática, funcionam como acréscimos salariais disfarçados, citando exemplos como o denominado auxílio-peru e auxílio-panetone — benefícios extras sem previsão clara em lei que têm sido alvo de críticas por parte de especialistas e setores da sociedade civil.

A medida vale para Órgãos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, abrangendo Executivo, Legislativo e Judiciário, e foi tomada no contexto de uma reclamação apresentada por uma associação de procuradores que questionava a compatibilidade destas práticas com o regime constitucional de remuneração pública.

Reação no Congresso e próximos passos

Parlamentares já sinalizaram a intenção de debater de maneira integrada propostas legislativas que tratem do fim dos penduricalhos e da definição legal de quais verbas podem ser consideradas indenizatórias e, portanto, estarem fora do teto salarial. O relator de um projeto que trata desse tema no Senado afirmou que buscará articular uma agenda conjunta com outras matérias correlatas para um resultado mais abrangente.

No entanto, o debate enfrenta resistência de membros do Legislativo, que apontam para a necessidade de equilíbrio entre a contenção de despesas e a valorização de servidores. A temática também pode ser levada ao plenário do STF para confirmação da liminar, em sessão agendada para o fim de fevereiro, o que dará ainda mais corpo ao debate institucional sobre a remuneração pública no Brasil.

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