Três cidades lideram desmate de restinga

Cruz, Camocim e Aquiraz concentram 38% da supressão de vegetação de restinga no Ceará entre 2023 e 2024.

Três municípios do litoral cearense concentram uma parcela significativa do desmatamento de vegetação de restinga no estado. De acordo com relatório ambiental recente, Cruz, Camocim e Aquiraz respondem por 38% de toda a área desmatada entre os anos de 2023 e 2024. 

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No total, o Ceará registrou a supressão de 345 hectares de restinga no período analisado, sendo 131 hectares apenas nesses três municípios. O levantamento faz parte do estudo “Restinga sob pressão”, elaborado com base em dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Entre os municípios, Cruz lidera o ranking, com 63 hectares desmatados. Já Camocim aparece com 34 hectares e Aquiraz com áreas significativas ligadas principalmente à expansão urbana e turística. 

Pressão imobiliária e agrícola

O relatório aponta que o desmatamento está diretamente ligado ao avanço de empreendimentos imobiliários e atividades agrícolas. Em Cruz, por exemplo, parte da vegetação foi removida para a construção de um empreendimento turístico próximo à Lagoa do Paraíso, um dos principais cartões-postais da região. 

Além disso, a abertura de vias de acesso e a expansão urbana também contribuíram para a perda da vegetação nativa. Em Camocim, áreas desmatadas foram utilizadas para plantação de caju, enquanto em Aquiraz a pressão ocorre principalmente em regiões turísticas como Porto das Dunas e Iguape. 

Em alguns casos, há questionamentos sobre autorizações ambientais, com órgãos locais afirmando não ter emitido licenças para determinadas áreas citadas no relatório.

Ceará lidera desmatamento no país

O estudo também revela um dado preocupante: o Ceará concentra 76% de todo o desmatamento de restinga registrado no Brasil no período analisado, colocando o estado como principal foco de pressão sobre esse ecossistema da Mata Atlântica. 

Especialistas alertam que a destruição da restinga compromete funções ambientais essenciais, como a proteção contra erosão costeira, a contenção do avanço das dunas e a preservação de recursos hídricos.

Importância da restinga

A vegetação de restinga é um ecossistema típico do litoral brasileiro e desempenha papel fundamental na estabilidade ambiental das zonas costeiras. Além de abrigar biodiversidade, ela atua como barreira natural contra impactos climáticos e ajuda a proteger comunidades e infraestruturas próximas ao mar. 

Segundo especialistas, a perda desse tipo de vegetação pode agravar problemas como avanço do mar, salinização da água e degradação de áreas naturais, tornando ainda mais urgente a adoção de políticas de proteção e fiscalização.

O relatório busca justamente chamar atenção para a necessidade de preservar esse bioma e equilibrar o desenvolvimento econômico com a conservação ambiental no litoral cearense.

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