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Ceará: Idosa viveu três gerações da mesma família antes de ser resgatada de situação análoga à escravidão no Ceará

Investigação aponta que mulher permaneceu por cerca de 55 anos trabalhando sem salário, enquanto defesa da família nega irregularidades e afirma que havia relação de cuidado e afeto.

A investigação sobre o caso da idosa de 62 anos resgatada de uma situação análoga à escravidão no Ceará revelou que ela passou por três residências da mesma família ao longo de aproximadamente 55 anos. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), a mulher acompanhou diferentes gerações da família e permaneceu exercendo atividades domésticas sem remuneração regular.

Conforme a apuração, a trabalhadora começou a viver com a família ainda na infância e, ao longo das décadas, assumiu os cuidados de crianças que passaram a chamá-la de mãe afetiva.

Idosa acompanhou três gerações da mesma família

Segundo a auditora-fiscal do Trabalho Maria Neuzeli Arantes, nos anos 1980 a trabalhadora passou a morar com uma das filhas da família após o casamento dela.

Além disso, a idosa cuidou dos filhos desse casal e afirmou que os considera como seus próprios filhos afetivos.

A investigação também aponta que ela nunca constituiu família. De acordo com o relato da auditora, a vítima contou que, quando era jovem, um homem demonstrou interesse em manter um relacionamento com ela, mas teria sido afastado pela família empregadora.

Rotina de trabalho foi naturalizada

A partir de 2014, a idosa mudou-se para uma terceira residência da mesma família para cuidar da filha de uma das patroas e, posteriormente, dos netos.

Segundo os auditores, ela passou a considerar natural a rotina de trabalho sem salário e sem descanso semanal.

Ao ser questionada sobre remuneração, a mulher afirmou que não precisava receber salário porque a família “lhe dava tudo”. Ela também declarou que preferia permanecer em casa cuidando dos familiares.

Benefício social era sacado pela empregadora

A investigação identificou que a idosa estava inscrita no Cadastro Único e recebia o benefício do Programa Bolsa Família, no valor de R$ 600.

Conforme o Ministério Público do Trabalho, a empregadora realizava o saque do benefício e, posteriormente, entregava o dinheiro à trabalhadora. Após o início da investigação, a família solicitou o cancelamento voluntário do benefício.

Os empregadores também informaram ao MPT que custeavam plano de saúde e recolhiam contribuições previdenciárias para a aposentadoria da idosa.

Idosa permanecerá na residência, mas sem exercer atividades

Após o resgate, a trabalhadora continuará morando temporariamente na residência da família.

No entanto, ela está proibida de exercer qualquer atividade doméstica.

A medida integra o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho e busca preservar a saúde emocional da vítima durante o processo de reconstrução da autonomia.

Enquanto isso, equipes da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará acompanharão o caso por meio de visitas e monitoramento contínuo.

Defesa nega acusações

Em nota, a defesa da família afirmou que as acusações divulgadas não refletem a relação construída ao longo das últimas décadas.

Segundo os advogados, a idosa recebeu remuneração, férias regulares, plano de saúde e contribuições previdenciárias.

Além disso, a defesa sustenta que nunca houve resgate, pois a mulher permanece convivendo com a família por vontade própria.

Os representantes também informaram que apresentarão documentos e provas durante a investigação para demonstrar a versão dos fatos.

Por fim, o caso segue sendo acompanhado pelos órgãos responsáveis, que darão continuidade às investigações para esclarecer todas as circunstâncias.

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Tags: Ceará, trabalho análogo à escravidão, Eusébio, Ministério Público do Trabalho, MPT, trabalho doméstico, direitos humanos, Sedih, violência trabalhista, trabalho escravo doméstico, investigação, Fortaleza

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