Bruno Fernandes tinha apenas dois anos quando perdeu a mãe, assassinada em Milhã. Após décadas de luta, o acusado do crime será julgado pelo Tribunal do Júri.
Quase 28 anos após o assassinato de Ivaneide Barbosa Fernandes Silva, de 24 anos, o acusado pelo crime será levado a júri popular no Ceará. A decisão representa o desfecho de uma longa batalha judicial conduzida pelo filho da vítima, Bruno Fernandes, que tinha apenas dois anos de idade quando a mãe foi morta na cidade de Milhã.
Atualmente com 30 anos e ocupando o cargo de ouvidor-geral adjunto do município, Bruno atuou para que o processo voltasse a tramitar e acompanhará o julgamento como assistente de acusação.
Crime ocorreu em 1998
Segundo os autos do processo, Ivaneide Barbosa Fernandes Silva foi assassinada em 9 de julho de 1998. Conforme a investigação, o acusado confessou o crime durante o processo judicial.
Na época, o Ministério Público denunciou o suspeito por homicídio qualificado, apontando motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Como o caso ocorreu antes da criação da Lei do Feminicídio, o crime não recebeu essa tipificação penal.
Acusado fugiu e processo ficou parado por anos
Após a decretação da prisão preventiva, o suspeito fugiu da cadeia pública de Solonópole um dia depois da decisão judicial.
Com isso, o processo permaneceu suspenso por cerca de duas décadas, já que o acusado não era localizado para responder à ação penal. Somente em março de 2023 ele foi encontrado no estado de Rondônia e preso por força de mandado judicial.
Filho liderou busca por justiça
Ao longo dos anos, Bruno Fernandes mobilizou instituições e buscou apoio jurídico para que o caso voltasse a avançar.
Além disso, ele acompanhou de perto todas as etapas do processo até que o Tribunal de Justiça do Ceará manteve, por unanimidade, a decisão que submete o acusado ao Tribunal do Júri.
Embora ainda não exista data definida para o julgamento, a confirmação da decisão foi recebida pela família como um importante passo em busca de justiça.
Família afirma que nunca deixou o caso ser esquecido
Bruno afirma que cresceu convivendo com a ausência da mãe e com o sentimento de que o caso havia sido esquecido pelo sistema de Justiça.
Por isso, decidiu assumir protagonismo na busca pela responsabilização do acusado.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a confirmação do júri representa o início da reparação aguardada pela família há quase três décadas.
Julgamento ainda será marcado
Agora, o processo seguirá para a fase de julgamento pelo Tribunal do Júri.
Enquanto isso, o acusado responderá às acusações perante jurados, que decidirão sobre sua responsabilidade no caso.
Por fim, a data da sessão ainda será definida pela Justiça do Ceará.
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