Sessão será retomada nesta terça-feira (14), com a oitiva das testemunhas de defesa; acusado precisou ser levado ao hospital após apresentar problema de saúde.
O primeiro dia do julgamento do Caso Clarissa foi interrompido nesta segunda-feira (13), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. O réu, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, passou mal durante a sessão do Tribunal do Júri.
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A interrupção aconteceu logo após o depoimento de Áurea Lúcia Cândido Costa, mãe da enfermeira Clarissa Costa Gomes, vítima de feminicídio em julho de 2025.
Segundo informações apuradas no local, Matheus sofreu uma convulsão, caiu e bateu a cabeça. Em seguida, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou os primeiros socorros e o levou para uma unidade hospitalar.
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que suspendeu o julgamento por razões médicas. Além disso, esclareceu que o acusado não tinha condições de retornar ao plenário durante a tarde.
Por isso, a sessão continuará nesta terça-feira (14), às 9h. Na ocasião, o Tribunal ouvirá as testemunhas de defesa.
Mãe relembra momento em que encontrou a filha
Antes da interrupção, cinco testemunhas de acusação prestaram depoimento. Primeiro, falou o policial civil que efetuou a prisão em flagrante. Depois, depuseram uma vizinha da vítima, duas amigas de infância de Clarissa e, por fim, a mãe da enfermeira.
Durante um dos momentos mais emocionantes da sessão, Áurea Lúcia relembrou o instante em que encontrou a filha sem vida dentro de casa.
Ela contou que trabalhava quando recebeu uma ligação de uma parente pedindo que retornasse para casa. Ao chegar ao local, encontrou a rua cheia de moradores. Em seguida, entrou na residência e viu Clarissa caída no chão.
A mãe afirmou que, naquele momento, ainda acreditava que conseguiria socorrer a filha e levá-la ao hospital.
Além disso, Áurea disse que desconhecia conflitos entre Clarissa e o então namorado. Segundo ela, o casal demonstrava tranquilidade quando estava em sua companhia.
Por fim, descreveu a filha como uma jovem dedicada, inteligente, excelente profissional e muito ligada à família.
Defesa afirma que réu prestará depoimento
A Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE), que representa Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, informou que o acusado deverá prestar depoimento durante o julgamento.
Segundo o defensor Emerson Castelo Branco, Matheus pretende confessar o crime, pedir perdão aos familiares da vítima e apresentar sua versão dos fatos.
Além disso, a defesa informou que não pedirá a absolvição do acusado. Em vez disso, solicitará uma condenação considerada justa. O defensor afirmou que Matheus possui histórico de depressão, problemas psicológicos e fazia uso de medicamentos.
Mesmo assim, a defesa manteve a previsão do depoimento do acusado, apesar do problema de saúde registrado nesta segunda-feira.
Relembre o caso
Clarissa Costa Gomes tinha 31 anos e trabalhava como enfermeira. Segundo as investigações, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz matou a vítima com 34 golpes de faca dentro da residência dela, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza.
Testemunhas relataram que ouviram pedidos de socorro antes do crime. Um vizinho afirmou ter escutado a frase “me solta, vai me matar”. Logo depois, outra moradora disse que ouviu Clarissa chamar pelo nome de Matheus antes de um forte barulho.
Após o crime, Matheus deixou a residência de motocicleta. Pouco tempo depois, policiais militares o prenderam em flagrante no bairro Maraponga.
Inicialmente, ele confessou o assassinato e afirmou que fazia uso de medicamentos para epilepsia e ansiedade. Posteriormente, declarou que não se lembrava do ocorrido.
Além disso, as investigações do Ministério Público do Ceará apontaram que o relacionamento era marcado por ciúmes excessivos e comportamento possessivo.
Segundo a denúncia, Clarissa enviou uma mensagem com a expressão “S.O.S.” para uma amiga enquanto sofria agressões. No entanto, a colega acreditou que a mensagem fazia referência à reunião remota em que ambas participavam naquele momento.
Por fim, o MPCE informou que, semanas antes do feminicídio, a enfermeira contou a duas amigas que pretendia encerrar o relacionamento.
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Tags: Caso Clarissa, Clarissa Costa Gomes, julgamento, feminicídio, Fortaleza, Tribunal do Júri, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, TJCE, Justiça, Ceará, Fórum Clóvis Beviláqua, Samu, violência contra a mulher, segurança pública