Publicação de 2013 ganhou repercussão após o resgate da trabalhadora de 62 anos, investigado pelo Ministério Público do Trabalho como caso de trabalho em condições análogas à escravidão.
Uma publicação feita em 2013 por Nayarah Alencar Brasil no Facebook voltou a repercutir após a divulgação do caso da idosa de 62 anos resgatada em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, em uma investigação sobre trabalho em condições análogas à escravidão.
Na postagem, obtida pelo Diário do Nordeste, a trabalhadora aparece segurando um bebê e ao lado de duas crianças. Na legenda da foto, Nayarah escreveu a expressão “Nossa mãe preta!”.
Publicação ganhou repercussão após investigação
A postagem passou a ser compartilhada nas redes sociais depois que auditores-fiscais do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgaram detalhes da investigação.
Segundo os órgãos, a mulher foi submetida a aproximadamente 55 anos de trabalho doméstico para a mesma família. Ela chegou à residência em 1971, quando tinha apenas sete anos de idade, e, desde então, passou a cuidar da casa e de diferentes gerações da família.
Expressão remete ao período escravocrata
De acordo com o Centro de Documentação e Memória (Cedem), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o termo “mãe preta” tem origem no período da escravidão, quando mulheres negras escravizadas eram responsáveis por amamentar e cuidar dos filhos de famílias brancas.
A expressão passou a ser citada durante a repercussão do caso por remeter ao contexto histórico das relações de servidão no Brasil.
Investigação identificou integrantes da família
Conforme o Ministério Público do Trabalho, os atuais investigados firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) após a operação.
Entre eles está Zaamarah Alencar Brasil Andrade, servidora pública municipal que ocupava cargo na Prefeitura de Fortaleza e cuja exoneração foi anunciada pela administração municipal nesta semana.
Também aparece entre os investigados Nayarah Alencar Brasil Magalhães, autora da publicação feita nas redes sociais.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa da família negou que a idosa tenha sido submetida a trabalho análogo à escravidão.
Segundo os advogados, a convivência foi construída ao longo de décadas com base em cuidado e afeto. A defesa afirma ainda que a mulher recebeu remuneração, férias, plano de saúde e contribuições previdenciárias.
O caso continua sendo apurado pelos órgãos competentes, que irão analisar as provas reunidas durante a investigação.
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