Nova regra facilita viagens de negócios entre Brasil e China, reduz barreiras comerciais e pode mudar a forma como empresas brasileiras negociam com fornecedores chineses.
A isenção de visto para cidadãos chineses que viajam ao Brasil por até 30 dias pode provocar mudanças importantes no comércio exterior brasileiro. Além de estimular o turismo e as viagens corporativas, a medida tende a aproximar fabricantes chineses de empresas brasileiras, reduzindo barreiras nas negociações e alterando a dinâmica das importações.
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A regra entrou em vigor em 11 de maio e permite a entrada de cidadãos chineses no Brasil para viagens de turismo, negócios e participação em eventos. A decisão foi adotada em regime de reciprocidade, já que a China já havia dispensado a exigência de visto para brasileiros desde 2025.
Fabricantes chineses poderão negociar diretamente com empresas brasileiras
Segundo o sócio-fundador da PBF Comex e diretor do Grupo ProHospital, Arcelino Calado, a principal mudança está na facilidade para empresários chineses visitarem o Brasil e negociarem diretamente com potenciais clientes.
De acordo com o especialista, a burocracia para obtenção do visto representava um obstáculo para muitos fabricantes interessados no mercado brasileiro.
“Antes, o visto brasileiro para o chinês era caro e demorado. Esse atrito, por menor que pareça, segurava muita coisa. Tirar esse obstáculo muda completamente o cenário das negociações”, afirma.
Com isso, empresas chinesas passam a ter mais facilidade para participar de reuniões presenciais, visitar clientes, conhecer o mercado brasileiro e estabelecer parcerias comerciais sem depender exclusivamente de intermediários.
Importadores precisarão oferecer mais do que intermediação
Para Arcelino Calado, a nova realidade exigirá uma mudança de postura das empresas brasileiras que atuam na importação.
Segundo ele, fabricantes chineses poderão negociar diretamente com compradores nacionais, reduzindo o espaço para intermediários que apenas realizavam a ponte entre fornecedor e cliente.
Entretanto, o especialista destaca que importar continua sendo um processo complexo e que exige conhecimento técnico.
Entre os desafios permanecem:
- Registro de produtos junto à Anvisa;
- Certificações exigidas pelo Inmetro;
- Controle de qualidade;
- Logística internacional;
- Desembaraço aduaneiro;
- Gestão cambial;
- Garantias e suporte pós-venda.
Por isso, empresas que oferecem consultoria especializada, gestão logística, regularização documental e acompanhamento de fornecedores tendem a permanecer competitivas.
Medida pode fortalecer comércio entre Brasil e China
Além de facilitar viagens corporativas, a isenção de visto deve ampliar o contato entre empresários dos dois países, tornando mais frequentes missões comerciais, visitas técnicas, participação em feiras e fechamento de novos contratos.
Na avaliação do especialista, a tendência é que o mercado premie empresas capazes de agregar valor ao processo de importação.
“O intermediário que apenas fazia a ponte entre fornecedor e cliente está ameaçado. Já quem resolve problemas, oferece segurança e presta consultoria tende a se tornar ainda mais importante”, avalia.
Empresas precisarão se adaptar ao novo cenário
Para Arcelino Calado, a flexibilização das regras representa uma transformação no ambiente de negócios entre Brasil e China.
Segundo ele, a competitividade passará a depender menos da simples intermediação comercial e mais da capacidade de oferecer soluções completas aos clientes.
“O mercado ficou mais aberto. Quem agrega valor continuará relevante. Quem apenas ocupava espaço precisará se reinventar”, conclui.
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Tags: China, Brasil, importação, comércio exterior, visto, empresários chineses, economia, PBF Comex, negócios, relações comerciais