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Justiça suspende festival náutico em Caucaia após denúncia ambiental

Decisão impede realização do Lago Nautic Festival neste sábado (29) até que organizadores comprovem autorização ambiental para uso da APA do Lagamar do Cauípe

A Justiça do Ceará determinou a suspensão imediata do Lago Nautic Festival – Wind Experience – Cauípe 2026, previsto para este sábado (29), em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (28) pela Vara Estadual do Meio Ambiente (VEMA), do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). A medida atende a uma ação apresentada pela Defensoria Pública do Estado.

Segundo a decisão, o evento não apresentou autorização ambiental específica da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Sema) para utilizar a Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe.

Festival é suspenso pela Justiça

O juiz Edson Feitosa dos Santos Filho determinou que a SPE Pitombeira Empreendimentos Imobiliários Ltda. e a Federação de Vela e Motor do Estado do Ceará (FVMEC) não realizem, promovam, organizem, sediem ou apoiem atividades esportivas náuticas relacionadas ao festival dentro da APA.

A suspensão permanecerá até que os responsáveis comprovem no processo a obtenção de autorização expressa e específica da Sema, conforme as regras do Plano de Manejo da unidade de conservação.

Além disso, em caso de descumprimento, cada uma das partes poderá receber multa de R$ 50 mil. A Justiça também poderá aumentar o valor e adotar outras medidas coercitivas.

Evento não tinha autorização ambiental estadual

De acordo com a ação da Defensoria Pública, o local escolhido para o festival está integralmente dentro da APA do Lagamar do Cauípe. A unidade de conservação estadual foi criada em 1998.

O Plano de Manejo da área, aprovado pela Portaria Sema nº 01/2023, estabelece a necessidade de autorização da gestão da unidade para eventos esportivos, incluindo atividades como kitesurfe.

Além disso, a autorização deve considerar os possíveis impactos negativos da atividade.

A Defensoria também apontou que o Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (IMAC) havia informado que não poderia autorizar o evento sem uma manifestação prévia da Sema.

Conforme a decisão judicial, o procedimento apresentado à secretaria estadual ainda estava em andamento quando o festival se aproximava.

Capitania dos Portos emitiu “Nada a Opor”

Outro ponto analisado pela Justiça foi uma declaração de “Nada a Opor” emitida pela Capitania dos Portos do Ceará.

No entanto, o juiz entendeu que o documento não substitui a autorização ambiental exigida para a realização do evento.

Isso ocorre porque a manifestação da Capitania está relacionada à segurança e ao ordenamento da navegação. Portanto, o documento não comprova a regularidade ambiental de uma atividade realizada dentro de uma área protegida.

Da mesma forma, o simples protocolo de um procedimento administrativo no IMAC não foi considerado suficiente para regularizar o festival.

Justiça aponta risco de impactos ambientais

A decisão também considerou as características previstas para o festival. A programação incluía modalidades como kitesurfe e wing foil, além de embarcações das classes Dingue e Hobie Cat 16.

O evento ainda previa circulação de embarcações de apoio, montagem de estruturas nas margens e concentração de atletas e público.

Segundo a avaliação judicial, a utilização intensa do corpo hídrico e das margens poderia provocar impactos ambientais, como:

  • perturbação da fauna aquática;
  • compactação do solo;
  • dispersão de resíduos sólidos;
  • poluição da água.

Além disso, o magistrado considerou que a proximidade do evento justificava uma ação preventiva. A preocupação está relacionada à possibilidade de danos ambientais de difícil reparação.

Denúncias de indígenas Anacé

A decisão ocorreu no mesmo dia em que a Associação Indígena do Povo Anacé do Planalto Cauípe denunciou ao O POVO supostos crimes ambientais, violações de direitos indígenas e impactos sobre o Território Sagrado Anacé Kauype.

Entre as denúncias apresentadas pela entidade estão o desmatamento, a derrubada de carnaúbas e o bloqueio do acesso tradicional da comunidade ao Rio Cauípe.

Apesar da suspensão, a decisão judicial prevê a possibilidade de reversão da medida caso as exigências ambientais sejam cumpridas posteriormente.

Enquanto isso, o festival permanece impedido de realizar atividades na APA do Lagamar do Cauípe.

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Tags: Caucaia, Festival Náutico, Lago Nautic Festival, Cauípe, Lagamar do Cauípe, Sema, TJCE, Defensoria Pública, Meio Ambiente, Anacé, Ceará

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