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ITA amplia vagas e estreia cotas para indígenas e quilombolas no vestibular 2027

Instituto oferece 200 vagas para a seleção de 2027, incluindo 50 para pretos e pardos, seis para indígenas e quatro para quilombolas

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) ampliou de 180 para 200 o número de vagas no vestibular 2027. Além do aumento na oferta, a instituição passou a reservar oportunidades para candidatos indígenas e quilombolas, uma mudança inédita no processo seletivo.

A nova distribuição prevê 140 vagas para ampla concorrência, 50 para candidatos pretos e pardos, seis para indígenas e quatro para quilombolas. A definição consta no edital do Concurso de Admissão ao ITA 2027 e segue a Portaria GM-MD nº 1.286, publicada em 3 de março de 2026.

Além disso, a ampliação ocorre no mesmo período em que o ITA avança no projeto de instalação de um novo campus em Fortaleza. A unidade cearense terá os cursos de Engenharia de Sistemas e Engenharia de Energia. Já os dois primeiros anos da formação fundamental continuarão em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Estudantes indígenas veem novas possibilidades

A mudança na política de ingresso já repercute entre estudantes que se preparam para disputar uma vaga no instituto. Um deles é José Lima, de 21 anos, natural de João Pessoa, na Paraíba.

Criado nas aldeias potiguara Caieira e Jacaré de César, em Marcação (PB), José atualmente mora em São José dos Campos e pretende cursar Engenharia Aeroespacial.

Neste ano, ele começou a preparação no Curso Poliedro e conseguiu uma bolsa de alojamento, o que permitiu a mudança para a cidade paulista. Para o estudante, a reserva de vagas pode aproximar jovens indígenas de instituições tradicionalmente marcadas pela alta concorrência.

“A nova lei de cotas é uma lupa que pode nos ajudar a enxergar sonhos que antes nos pareciam muito distantes. Aldeias e quilombos geralmente se encontram em locais afastados e os acessos à educação, à comunicação e à formação definitivamente não são os mesmos daqueles na cidade grande”, afirma.

Segundo José, a preparação ao longo dos últimos anos também mudou sua percepção sobre a possibilidade de ingressar no ITA.

“O ITA, assim como outras faculdades de prestígio tão longe de casa, parecia um sonho muito distante, mas anos de preparação deixaram-no mais palpável e as cotas vêm para trazer esse sonho mais para perto”, completa.

Cotas também contemplam candidatos quilombolas

A nova modalidade também alcança estudantes com vínculos com comunidades quilombolas. É o caso de André Giancarlo, de 17 anos, que tem origem familiar no povoado Ladeiras, em Japoatã, Sergipe.

Na região, está localizado o quilombo com o qual a família mantém vínculos. André relata que ainda são poucos os jovens da comunidade que conseguem chegar ao ensino superior.

“Lá, infelizmente, ainda não temos muitos jovens que conseguem alcançar o nível superior de formação, pois as condições ainda são precárias. Depois da política de cotas nas universidades públicas, surgiram alguns aprovados”, relata.

Os pais do estudante se mudaram para Aracaju em busca de melhores oportunidades educacionais para os filhos. Atualmente, André cursa o ensino médio no Colégio Poliedro São José dos Campos e se prepara para disputar uma vaga no ITA.

Vestibular mantém exigência acadêmica

A nova distribuição das vagas ocorre após a aprovação da Lei nº 15.142/2025, que estabeleceu a reserva de 30% das vagas em concursos públicos e processos seletivos simplificados da administração pública federal para pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas.

No vestibular do ITA, a divisão ficou em 25% das vagas para pretos e pardos, 3% para indígenas e 2% para quilombolas. Os outros 70% permanecem destinados à ampla concorrência.

Apesar da mudança na forma de distribuição das vagas, o instituto mantém os critérios acadêmicos previstos no processo seletivo. Dessa forma, todos os candidatos precisam cumprir as exigências mínimas estabelecidas para as disciplinas e as demais etapas da seleção.

Segundo Robson Jr., coordenador pedagógico da Turma ITA do Poliedro, a política de cotas amplia as possibilidades de acesso sem modificar o nível de exigência da prova.

“A reserva de vagas amplia o acesso, mas não reduz a exigência da prova. O ITA mantém índices mínimos por disciplina que valem para todos os candidatos, e um dos grandes desafios do vestibular é alcançá-los. Por isso, a preparação específica continua sendo fundamental”, afirma.

Em 2026, o Poliedro contabilizou 104 aprovações no ITA e teve os cinco primeiros colocados do vestibular. Diante da nova configuração, o curso também ampliou a oferta de bolsas para candidatos indígenas e quilombolas interessados na preparação para a seleção.

Vestibular do ITA teve mais de 9,5 mil inscritos

A edição 2027 do vestibular recebeu 9.531 inscrições, conforme dados divulgados pelo próprio ITA.

A primeira fase ocorreu em 27 de setembro e reuniu questões objetivas de Matemática, Física, Química e Inglês. Na sequência, os candidatos classificados participam da segunda etapa, marcada para o período de 20 a 23 de outubro.

Nessa fase, os estudantes realizam provas de Matemática, Química, Física, Português e Redação.

Para avançar no processo seletivo, os candidatos precisam alcançar os critérios de desempenho previstos no edital e permanecer dentro do número de classificados correspondente à modalidade de concorrência.

A ampliação das vagas e a inclusão de indígenas e quilombolas marcam, portanto, uma nova etapa no processo de admissão do ITA. A mudança ocorre justamente durante a expansão da instituição para Fortaleza, que prevê novas formações de engenharia no Ceará.

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